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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Trecho de Elegia desesperada


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Postado por Katze Yue às 17:05 0 comentários    

shhh...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Olavo Bilac

Postado por Katze Yue às 01:43 0 comentários    

Ausência do amor total

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O dia amanheceu tarde, primeiro de dezembro, enfim o sabor de fim de ano. Fome, som de pagode do outro lado da rua, sutil sensação de calor.
Mas a tranquilidade, o silêncio. Em algum universo paralelo estou sentada à beira do mar.





Será que é isso que acontece quando não se enxerga mais (quase) nada com que se importar?






Então acho que estou compreendendo os suicidas.











Vinicius de Moraes, que delícia *-*



Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.


Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.


Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.





diz tanto nesse momento...
mas também tem outro que não pode faltar, ah, eu sei que não pode!






Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.





*

Postado por Katze Yue às 14:08 0 comentários    

Diary of dreams?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Outro dia perguntei a duas alunas onde guardavam seus diários; o objetivo era revisar in, on, under, essas coisas. Uma delas afirmou não manter diário algum; a outra respondeu "in my purse".


Então olhei seu sorriso de quase 18 anos e lembrei-me de algo que não aconteceu. Ah, fazia tempo que eu não tinha dessas lembranças.

Alguns meses atrás, teria desejado estar dentro daquele diário, e não me importaria com as páginas rosadas e floridas. Porque me sentiria bem com ela, tomando ares tão diferentes dos meus negro-solitários. E porque estaria sendo importante para ela, meu pequeno corpo dividindo espaço com mil coisinhas de cabelo ruivo.

Lembrei-me do que eu teria pensado, do que teria sonhado à noite, músicas pop e risos adolescentes em tons pasteis.


Mas não me espantei ao não sentir falta dessas coisas; não por causa de não fazer mais parte daquele mundo nem por estar consciente disso. É que hoje sei definir o amor de várias outras maneiras. Tenho só dois anos a mais que a garota do diário, dois anos e dois meses, e as coisas são tão diferentes.


Já amei com inocência e pureza, já passei noites sem dormir e sem acordar por causa de paixões, já sofri por muitas pessoas em muito pouco tempo até desistir de acreditar, e já machuquei sem conseguir sentir dó.


Mas só é amor de verdade quando é diferente, eu acho. Quando é a primeira vez de novo. Senão é repetição e rotina, e pra isso já não tenho forças, aliás, pobre de quem as tem. Amor é necessidade de viver - com ou sem depressão e loucuras hormonais, com ou sem cigarro e chocolate, com a cama quente ou fria. Ainda é necessidade de viver.


Por isso não me fez falta alguma deixar uma marquinha sequer no tal diário. Hoje o amor é outro, e é tudo. Diário até eu tenho, é exatamente isto aqui, já apelidado duas ou três vezes "caixinha de mágoas". Mas começo a me lembrar que também existe uma caixinha de alegrias.

Postado por Katze Yue às 15:00 0 comentários    

Ghost of Freedom

sábado, 21 de novembro de 2009

E fez-se a luz novamente, pintada de preto, vestindo risos pálidos, há muito tempo escondidos atrás das imagens falsamente perfeitas.



Dentro de alguns dias mais, desfaz-se a ilusão, e vem a cruel certeza, a notícia anunciada por voz inaudível. Sim, estou doente, e doente sozinha. Não, isto não tira o frescor de sentimentos como aquele - é algo maior, e não sei o que fazer, e estou só e o tempo (ele de novo!) é outra espécie de "caixinha de mágoas".

Postado por Katze Yue às 02:44 0 comentários    

* Blackout *

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apagaram as luzes dos quartos, mas ninguém foi dormir. Desligaram os computadores e ninguém gostou. As ruas escureceram ainda mais, e o silêncio não foi tranquilidade, mas sim surpresa.

Nada pode unir mais do que a ruptura brisca da individualidade. Ordem, planos, sistemas devem ser abalados, devem ser falhos, mas não podem. Não se sabe desde quando nos controlam, isso também nos foi arrancado da memória. E caminhar sem enxergar o chão nem vislumbrar destino, sem que as luzes amarelas nos ofusquem, e respirar a quietude fresca da terça-feira que ninguém esperava, com isso não sabemos o que fazer.

Só restou escovar os dentes, apagar as velas sem soprá-las, e abrir a janela do quarto ao invés de fechá-la. Sem poder ouvir o semáforo lá da esquina mudando de cor, deitei-me sentindo o escoar da vida, a escuridão levando o tempo embora, e fechar os olhos foi um desperdício, uma quase morte dentro da noite pesada.

Postado por Katze Yue às 01:39 0 comentários    

Lord, I question whether I've had my fill

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tenho pensado tantas vezes antes de cada palavra que escrevo, todas elas aprofundam o sentimento de culpa por acreditar que está próximo o dia de encontrar algo que estou procurando.


Enxergar a vida como ela é não é fácil, viver não é fácil, é o que dizem muitos. A questão é, supondo que se consiga, será que vale a pena e o resultado é bom mesmo?



Lord, I question whether I've had my fill
Lord, I question whether I can take much more
You may laugh as I lay here bleeding
No more afters or befores

Once my blood was strong but now it's jaded and it's thin
Unlike you I can still tell right from wrong

Postado por Katze Yue às 03:15 0 comentários    

Im Schatten meines Lebens

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

É muito diferente o que se sente ao observar a noite pela janela, sem óculos riscados para embaçar a visão nem blusa para proteger do vento gelado. É muito diferente ouvir música no volume máximo às duas da manhã, tentar escrever em linha reta no escuro, ou saber que é impossível fazer o tempo passar.


Mas mesmo assim vesti a jaqueta, acendi a luz e deixei o Lacrimosa tocando baixinho:


Ich war auf der Gallerie menes Geistes
Ich hörte die Musik meiner Seele


Finalmente algo está mudando, algo que tenho esperado por tempo demais, algo que não sei definir de forma alguma. É incrivelmente obscura e real a sensação que tenho de estar começando a me recuperar de alguma espécie de vício em drogas. E fecho os olhos pra enxergar melhor, em que estou transformando a vida desta vez?


Dreh dich um
und zeig mir dein Gesicht

Postado por Katze Yue às 13:24 0 comentários    

Cry for the moon

sábado, 24 de outubro de 2009

To die by your side is such a heavenly way to die...


Amanhã estou indo pra Atibaia, espero voltar no domingo com coisas novas na cabeça, e menos preocupação com os problemas que existem mesmo e pronto.





Andei voltando a ouvir Lacrimosa, Theatre of Tragedy, Epica.


Eternal silence cries loud for justice...
... you cannot hide yourself behind the fairy tale




Eu volto!

Postado por Katze Yue às 00:45 0 comentários    

Observação

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Queria deixar claro que eu não perdi a capacidade de mentir, de enganar, de fingir que estou bem - só estava com medo de que você acreditasse.


É, estou bem novamente, a tranquilidade que só o sentimento verdadeiro me traz. Mas agora não vou ficar falando muito não, preciso me concentrar mais no que fazer.



E preciso continuar bem, faltam trinta e quatro horas pro meu aniversário, e não posso passar o sábado inteiro triste, porra!



Sabem, comentários em qualquer um dos meus infelizes posts ajudariam essa causa =)

[/tentando-não-ser-carente-sendo-engraçadinha]



*

Postado por Katze Yue às 00:48 1 comentários    

Silêncio

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As noites têm sido conturbadas, não estou mais conseguindo nem chegar aqui e ficar exibindo as minhas definições pra tudo.

Estou feliz, o feriado foi bem aproveitado, com os problemas velhos e algumas alegrias novas. E não deixa de exitir aquela espécie de "ponto cego" da minha vida, algo que não me deixa pensar sobre o que devo fazer, não mesmo.

Mas estou com fome, com frio e tenho muito o que estudar, portanto a boemia aí fica para mais tarde.

Postado por Katze Yue às 12:30 0 comentários    

Scent of the sea, before the waking of the world

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Noite passada, senti-me novamente mergulhando nas gélidas águas do alto-mar em Parati. Aquelas tão hipnoticamente descritas na Ghost Love Score, do Nightwish de Tarja. Não, não estou louca. Há exatos cinco anos, passei todos os meus três das na cidade ouvindo em pensamento

We used to swim
the same moonlight waters
Oceans away
from the wakeful day

E o quadro em minha mente era tão nítido, dois corpos jovens brincando infantilmente no mar sob a lua cheia; ela vestindo apenas seus longos cabelos negros, ele de olhos azuis e músculos fortes. No segundo dia de viagem, a bordo de um barco com mais de cinquenta pessoas, em meio a tantas vozes e ao sol do meio-dia, cheguei a entrever a cena silenciosa diversas vezes. Nunca mais pude ouvir a Ghost Love Score, ou praticamente qualquer outra faixa do álbum Once, sem lembrar-me daquela viagem.


Nesta última madrugada, por alguma razão que desconheço, senti-me assim novamente. Talvez a surpresa de não ter tido um acesso de depressão, talvez o entusiasmo com aquela conversa de projeção astral, também o amor e o frio e a expectativa da sexta-feira - tudo isso me trouxe uma tranquilidade fresca com perfume de Yemanjá. Ao som do The Sundial, "Spirits of the dead".


Adormeci lentamente, certa de estar flutuando. Tudo está voltando a seu lugar, e a respeito das dúvdas que tive algns dias atrás, já tomei minha decisão.



Fecho a noite com um trecho do Placebo:

It seemed to last for hours
It seemed to last for days
This lady of the flowers
and her hypnotic gaze.



*

Postado por Katze Yue às 23:53 0 comentários    

Cemetery Gates

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ao mesmo tempo em que a gente se acostuma às pedras do caminho, elas vão machucando mais e mais. Os surtos já não me surpreendem, mas têm hora exata para começar, estendem-se noite adentro e afogam-me em longas noites sem sonhos. Acordo já perto das 11h - e não menos abalada. Pelo contrário, a luz do sol, a certeza da vida passando lá fora... ah, agonia!


Estou precisando das minhas músicas, do meu silêncio. Precisando talvez que a noite volte a ser só minha.


E essa depressão vazia que me inquieta por volta das 21h30, que me faz magoar quem me ama, que me faz sofrer, que me faz voltar aqui porque quanto mais sofro menos confio. Ando à beira de um abismo cada vez mais fundo, ando esquecendo-me de como é a vida do lado de fora, e sempre às 21h30 canso-me de viver.

Postado por Katze Yue às 01:40 0 comentários    

There is a light that never goes out

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Acho que não sou digna o suficiente pra aprender a perdoar, não quando se trata do meu ponto mais fraco. Tá, mas é meu ponto mais fraco.

Sabe aquela Kika, da MTV? Tirei do blog dela:
"Que graça tem perder aquele olho no olho que te pede algo que só você sabe fazer pro outro, algo que vocês descobriram juntos? Que graça tem deixar de sentir o mundo derretendo ao seu redor durante aqueles segundos que antecedem o final?"
(07/07/2009)


É, eu não sei >.<





Enfim, andei largando o esconderijo aqui porque preciso estudar pro vestibular, e também por motivos muito menos nobres, como a diária fuga de casa e a constante falta de dinheiro [se eu tivesse iria a uma lan house].




Outro dia quebrei o pau por aqui, avisei que ia dormir fora e fui mesmo, sob a não-aprovação de todos.
A noite estava gentilmente fria, silenciosa na medida certa, o ar pareceu bem menos poluído.


De alguma forma isso me lembrou a sensação de liberdade experimentada nas aulas da auto-escola, e juntando tudo isso, dá uma música dos Smiths:


Take me out tonight
Where there's music and there's people who are young and alive,
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, anymore

Take me out tonight
Because I want to see people and I want to see life,
Driving in your car
Oh please don't drop me home
Because It's not my home, it's their home
And I'm welcome no more

And if a double-decked bus crashes into us
To die by your side is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure, the privilege is mine


Take me out tonight
Oh take me anywhere, I don't care, I don't care, I don't care
And in the darkened underpass I thought oh God, my chance has come at last
But then a strange fear gripped me and I just couldn't ask
Take me out tonight
Take anywhere, I don't care, I don't care, I don't care
Just driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, oh Lord
No I haven't got one.

There is a light that never goes out...




Puxa vida, é nesse momento mesmo que eu não posso esquecer que tudo isso é verdade. Às vezes a gente acaba confundindo amigos com inimigos, são essas coisas de ponto fraco que deixam a gente sem estrutura nenhuma, mas o Morrissey aí acabou de me lembrar não sei o quê.




E olha só, já é sete de setembro, que data tão importante.


Exatos 40 dias pros meus 20 anos.

Postado por Katze Yue às 03:43 0 comentários    

As dead as yesterday

terça-feira, 19 de maio de 2009

Nunca evitei sentimentos, mas simplesmente por não saber como - e não me arrependo de nada porque a vida é muito curta. Mas acaba chegando uma hora em que dá medo de estar tão feliz e perceber que isso talvez faça diferença mesmo. Acho que não é normal lutar tanto contra a vontade de dizer uma simples palavra, aquela que com certeza estragaria tudo, e continuar em silêncio, sabendo que estou em paz.

Não é possível, alguma coisa tem que dar errado.

Só hoje consigo enxergar isso de fora, como a garota que observava as gotas de chuva através da janela do ônibus, em um post mais antigo aí. Consegui voltar para casa sem ter ataques dos nervos nem lamentar aquilo que não pode acontecer mesmo; e no entanto, sei que existe saudade, em algum lugar por aqui existe sim.

Se isso não é bom, mas não traz dor nem deixa um vazio, como devo reagir?
Deve ser verdade aquilo lá de saber demais e envelhecer depressa, deve estar na hora de morrer.



It'll leave you with nothin' to say
Lost without a way
Ain't it funny child
Love sometimes leaves you
As dead as yesterday
Hoping to hold a handful of sunshine
Like a child told it cannot play
Never ever figured Lord love would leave me feeling
As dead as yesterday

Oh Lord... could you help me find some shelter?
Oh Lord... could you help me find some shelter?

It'll leave you feeling hollow and helpless
And there is where you'll stay
Ain't it funny child...
Love sometimes leaves you
As dead as yesterday
As dead as yesterday...

As dead as yesterday

Zakk Wylde

Postado por Katze Yue às 00:18 0 comentários    

Início do fim

domingo, 17 de maio de 2009

E pela primeira vez fiquei cansada. Num sábado à noite, vento gelado, cigarros e a solidão do amor que jamais acontece. Pela primeira vez fiquei cansada.



Ainda a enxergo diante de mim envolta em brancos lençois, massa disforme por detrás da bruma de intensa feminilidade que exala e que a envolve de fora para dentro. Aquela que não poderei conhecer, que não poderei encontrar nas ruas nem nos pesadelos, de quem não me esquecerei nem sentirei saudades.
Pela primeira vez, fiquei cansada.



Ainda lamento não ter tido uma caneta, ou uma faca que fizesse jorrar meu sangue, a fim de deixar as marcas da alma em meu mundo podre e vazio. Ah não, eu não derramaria o precioso líquido para ser usado como tinta, para com ele moldar palavras que tingissem velhas folhas de papel ou os lençois impregnados da mulher que não existe.

Muito pelo contrário.

Do sangue surgiria o livro branco em vermelho; no líquido seriam gravadas as memórias de minha amnésia permanante. Escrever palavras em sangue é fácil demais - a dor de perfurar com elas o mundo de fora para dentro faria mais efeito.



Ainda sinto as extremidades de meu corpo pulsando violentamente, não tenho um coração dentro do peito, apenas um buraco negro que tudo suga e a todos atrai. Mas minhas veias e artérias têm como destino o interior do crânio, um bando de terminações nervosas onde deveria haver cérebro, e que no entanto não deixam qualquer espaço para racionalidade alguma.

Pela primeira vez, estou cansada.



Nichts bewegt sich
Ich kann nicht mehr...
Ich bin so müde

Lacrimosa


*

Postado por Katze Yue às 00:13 4 comentários    

Velha

sábado, 16 de maio de 2009

Quando eu era criança, li que quem sabe demais envelhece mais depressa. Não entendi muito bem. Mas hoje sou a prova viva disso.

É, eu li essa frase há mais de oitocentos anos.

Postado por Katze Yue às 16:33 0 comentários    

Só mais umas considerações femininas

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eu quero conversar palavras, e não espinhos; quero comer chocolate sem gosto de lágrimas. Quero ficar triste pelos meus motivos, não pela agonia de não saber o que fazer com os motivos dos outros. E quero poder dormir de olhos fechados.

Já descobri como é legal entrar de cabeça naquilo em que a gente nem acredita, e descobrir a felicidade pura em coisas tão estranhas que só de pensar já dá um pouco de medo. Já percebi que nesses assuntos nunca existe o certo e o errado, e que muitas vezes a atitude mais prudente é ser inconsequente mesmo, não pensar e fingir não sentir.


E já sei muito bem que esse "ditado" aí é a maior estupidez:

Nunca chore por alguém que não merece as suas lágrimas;
quem realmente as merece não lhe faz chorar.


Isso aí é papo de quem espera príncipe encantado, credo!


Bom, olha só quanta coisa eu aprendi, hein... e vê se por acaso elas diminuem a minha tristeza, aquela que chegou de repente pra envenenar a melhor das noites e tornou a manhã pesada e o dia cinzento. Ah, não mesmo! Quanto mais a gente acredita, mais encontra sinais pra não acreditar.


Só porque hoje o mundo não foi pequeno o suficiente pra eu te encontrar por acaso na estação da Sé às seis da tarde.

Postado por Katze Yue às 00:57 0 comentários    

Hoffnung? Ou só burrice?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mais uma noite de muitas horas de música e poucas de sono, de acordar cedíssimo pra ir trabalhar, de passar uma tarde mais ou menos produtiva. Nos últimos dias a primeira coisa que tenho feito é mandar SMS por celular para uma certa pessoa, e hoje não foi diferente. Mas talvez amanhã seja.

Como diria minha irmã, sai dessa vida... pois é.


O fato é que essa existência não é sempre a porra de um ciclo muito poético e bonitinho, mas sim uma brincadeira de gato e rato que pode chegar a ser ridícula. A gente não gosta de ser trouxa, mas também não perde uma oportunidade, e ainda acha que tem o direito de ficar feliz quando encontra outros infelizes que também são assim.


Enquanto tem alguém que faz de tudo pra não demonstrar o que está pensando de verdade, só pra ser legal. E a gente finge que acha isso realmente legal.



Será que só se sente saudade com a consciência pesada? Ou isso é o que se pode chamar de sentimento de posse? Será que quem diz não enjoar das pessoas, é porque quer que todo mundo morra mesmo?




No começo de tudo, sempre parece que a gente está prestes a acordar ou a cair de um precipício, é bom demais pra ser verdade. E vai ficando tããão feliz quando vê que as coisas são reais e que isso não vai acontecer não. Mais ainda quando percebe que alguém sente exatamente o mesmo (?).


Mas uma hora a gente cai mesmo e pronto. E doi!

Postado por Katze Yue às 01:01 0 comentários    

Ashes

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Já estou de volta. Não me agrada abandonar este antro disfarçado de poesia, mas a viagem do fim de semana e, antes, os preparativos emocionais para ela, drenaram-me completamente as palavras e pensamentos lógicos do cérebro.
E depois do acidente de carro que sofri logo no dia primeiro, poderia não ter voltado mesmo!!

Três dias diferentes, únicos, perfeitos. Mas que não me deram oportunidade de esquecer que, quanto maior a altura, pior a queda.


Eu acredito que, com a maioria das pessoas, por mais diferentes que sejam os problemas, o caminho para encontrar a solução é o mesmo - aquela confortável estrada deserta saída de livros infantis, pela qual se vai andando e sentindo o sol no rosto em meio às arvores. Por mais que ali possam surgir obstáculos algumas vezes, ela sempre levará a um lugar já conhecido.

Mas comigo, pra variar, é o contrário. Motivos para ser feliz são cada vez mais infinitos; bons momentos nunca se repetem, o que os torna ainda melhores. Já os maus, esses sim uma cápsula do tempo, aparecem em qualquer situação, aparecem quando menos espero - mesmo que eu normalmente espere! E aprisionam-me na memória, levam-me de volta aos ciclos sem fim onde todos os problemas são um, onde todos os risos de calam diante da lembraça de um instante de decepção no olhar. Decepção que, repito, consigo esconder perfeitamente, mas não quero.



Não querer acreditar no presente, acontece quando a gente está com problemas. Não acreditar no futuro é normal algumas vezes. Mas por que eu não consigo acreditar no passado, em coisas boas que já aconteceram? Só mesmo quando elas voltarem para me atormentar em sonhos?

Postado por Katze Yue às 00:43 0 comentários    

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