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Noções são ilusões. Conclusões são distrações. O que importa é o que se sente.
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Incerteza do Errado

O que é certo para você?

Im Schatten meines Lebens

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

É muito diferente o que se sente ao observar a noite pela janela, sem óculos riscados para embaçar a visão nem blusa para proteger do vento gelado. É muito diferente ouvir música no volume máximo às duas da manhã, tentar escrever em linha reta no escuro, ou saber que é impossível fazer o tempo passar.


Mas mesmo assim vesti a jaqueta, acendi a luz e deixei o Lacrimosa tocando baixinho:


Ich war auf der Gallerie menes Geistes
Ich hörte die Musik meiner Seele


Finalmente algo está mudando, algo que tenho esperado por tempo demais, algo que não sei definir de forma alguma. É incrivelmente obscura e real a sensação que tenho de estar começando a me recuperar de alguma espécie de vício em drogas. E fecho os olhos pra enxergar melhor, em que estou transformando a vida desta vez?


Dreh dich um
und zeig mir dein Gesicht

Postado por Katze Yue às 13:24 0 comentários    

Cry for the moon

sábado, 24 de outubro de 2009

To die by your side is such a heavenly way to die...


Amanhã estou indo pra Atibaia, espero voltar no domingo com coisas novas na cabeça, e menos preocupação com os problemas que existem mesmo e pronto.





Andei voltando a ouvir Lacrimosa, Theatre of Tragedy, Epica.


Eternal silence cries loud for justice...
... you cannot hide yourself behind the fairy tale




Eu volto!

Postado por Katze Yue às 00:45 0 comentários    

Observação

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Queria deixar claro que eu não perdi a capacidade de mentir, de enganar, de fingir que estou bem - só estava com medo de que você acreditasse.


É, estou bem novamente, a tranquilidade que só o sentimento verdadeiro me traz. Mas agora não vou ficar falando muito não, preciso me concentrar mais no que fazer.



E preciso continuar bem, faltam trinta e quatro horas pro meu aniversário, e não posso passar o sábado inteiro triste, porra!



Sabem, comentários em qualquer um dos meus infelizes posts ajudariam essa causa =)

[/tentando-não-ser-carente-sendo-engraçadinha]



*

Postado por Katze Yue às 00:48 1 comentários    

Silêncio

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As noites têm sido conturbadas, não estou mais conseguindo nem chegar aqui e ficar exibindo as minhas definições pra tudo.

Estou feliz, o feriado foi bem aproveitado, com os problemas velhos e algumas alegrias novas. E não deixa de exitir aquela espécie de "ponto cego" da minha vida, algo que não me deixa pensar sobre o que devo fazer, não mesmo.

Mas estou com fome, com frio e tenho muito o que estudar, portanto a boemia aí fica para mais tarde.

Postado por Katze Yue às 12:30 0 comentários    

Scent of the sea, before the waking of the world

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Noite passada, senti-me novamente mergulhando nas gélidas águas do alto-mar em Parati. Aquelas tão hipnoticamente descritas na Ghost Love Score, do Nightwish de Tarja. Não, não estou louca. Há exatos cinco anos, passei todos os meus três das na cidade ouvindo em pensamento

We used to swim
the same moonlight waters
Oceans away
from the wakeful day

E o quadro em minha mente era tão nítido, dois corpos jovens brincando infantilmente no mar sob a lua cheia; ela vestindo apenas seus longos cabelos negros, ele de olhos azuis e músculos fortes. No segundo dia de viagem, a bordo de um barco com mais de cinquenta pessoas, em meio a tantas vozes e ao sol do meio-dia, cheguei a entrever a cena silenciosa diversas vezes. Nunca mais pude ouvir a Ghost Love Score, ou praticamente qualquer outra faixa do álbum Once, sem lembrar-me daquela viagem.


Nesta última madrugada, por alguma razão que desconheço, senti-me assim novamente. Talvez a surpresa de não ter tido um acesso de depressão, talvez o entusiasmo com aquela conversa de projeção astral, também o amor e o frio e a expectativa da sexta-feira - tudo isso me trouxe uma tranquilidade fresca com perfume de Yemanjá. Ao som do The Sundial, "Spirits of the dead".


Adormeci lentamente, certa de estar flutuando. Tudo está voltando a seu lugar, e a respeito das dúvdas que tive algns dias atrás, já tomei minha decisão.



Fecho a noite com um trecho do Placebo:

It seemed to last for hours
It seemed to last for days
This lady of the flowers
and her hypnotic gaze.



*

Postado por Katze Yue às 23:53 0 comentários    

Cemetery Gates

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ao mesmo tempo em que a gente se acostuma às pedras do caminho, elas vão machucando mais e mais. Os surtos já não me surpreendem, mas têm hora exata para começar, estendem-se noite adentro e afogam-me em longas noites sem sonhos. Acordo já perto das 11h - e não menos abalada. Pelo contrário, a luz do sol, a certeza da vida passando lá fora... ah, agonia!


Estou precisando das minhas músicas, do meu silêncio. Precisando talvez que a noite volte a ser só minha.


E essa depressão vazia que me inquieta por volta das 21h30, que me faz magoar quem me ama, que me faz sofrer, que me faz voltar aqui porque quanto mais sofro menos confio. Ando à beira de um abismo cada vez mais fundo, ando esquecendo-me de como é a vida do lado de fora, e sempre às 21h30 canso-me de viver.

Postado por Katze Yue às 01:40 0 comentários    

There is a light that never goes out

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Acho que não sou digna o suficiente pra aprender a perdoar, não quando se trata do meu ponto mais fraco. Tá, mas é meu ponto mais fraco.

Sabe aquela Kika, da MTV? Tirei do blog dela:
"Que graça tem perder aquele olho no olho que te pede algo que só você sabe fazer pro outro, algo que vocês descobriram juntos? Que graça tem deixar de sentir o mundo derretendo ao seu redor durante aqueles segundos que antecedem o final?"
(07/07/2009)


É, eu não sei >.<





Enfim, andei largando o esconderijo aqui porque preciso estudar pro vestibular, e também por motivos muito menos nobres, como a diária fuga de casa e a constante falta de dinheiro [se eu tivesse iria a uma lan house].




Outro dia quebrei o pau por aqui, avisei que ia dormir fora e fui mesmo, sob a não-aprovação de todos.
A noite estava gentilmente fria, silenciosa na medida certa, o ar pareceu bem menos poluído.


De alguma forma isso me lembrou a sensação de liberdade experimentada nas aulas da auto-escola, e juntando tudo isso, dá uma música dos Smiths:


Take me out tonight
Where there's music and there's people who are young and alive,
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, anymore

Take me out tonight
Because I want to see people and I want to see life,
Driving in your car
Oh please don't drop me home
Because It's not my home, it's their home
And I'm welcome no more

And if a double-decked bus crashes into us
To die by your side is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure, the privilege is mine


Take me out tonight
Oh take me anywhere, I don't care, I don't care, I don't care
And in the darkened underpass I thought oh God, my chance has come at last
But then a strange fear gripped me and I just couldn't ask
Take me out tonight
Take anywhere, I don't care, I don't care, I don't care
Just driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one, oh Lord
No I haven't got one.

There is a light that never goes out...




Puxa vida, é nesse momento mesmo que eu não posso esquecer que tudo isso é verdade. Às vezes a gente acaba confundindo amigos com inimigos, são essas coisas de ponto fraco que deixam a gente sem estrutura nenhuma, mas o Morrissey aí acabou de me lembrar não sei o quê.




E olha só, já é sete de setembro, que data tão importante.


Exatos 40 dias pros meus 20 anos.

Postado por Katze Yue às 03:43 0 comentários    

As dead as yesterday

terça-feira, 19 de maio de 2009

Nunca evitei sentimentos, mas simplesmente por não saber como - e não me arrependo de nada porque a vida é muito curta. Mas acaba chegando uma hora em que dá medo de estar tão feliz e perceber que isso talvez faça diferença mesmo. Acho que não é normal lutar tanto contra a vontade de dizer uma simples palavra, aquela que com certeza estragaria tudo, e continuar em silêncio, sabendo que estou em paz.

Não é possível, alguma coisa tem que dar errado.

Só hoje consigo enxergar isso de fora, como a garota que observava as gotas de chuva através da janela do ônibus, em um post mais antigo aí. Consegui voltar para casa sem ter ataques dos nervos nem lamentar aquilo que não pode acontecer mesmo; e no entanto, sei que existe saudade, em algum lugar por aqui existe sim.

Se isso não é bom, mas não traz dor nem deixa um vazio, como devo reagir?
Deve ser verdade aquilo lá de saber demais e envelhecer depressa, deve estar na hora de morrer.



It'll leave you with nothin' to say
Lost without a way
Ain't it funny child
Love sometimes leaves you
As dead as yesterday
Hoping to hold a handful of sunshine
Like a child told it cannot play
Never ever figured Lord love would leave me feeling
As dead as yesterday

Oh Lord... could you help me find some shelter?
Oh Lord... could you help me find some shelter?

It'll leave you feeling hollow and helpless
And there is where you'll stay
Ain't it funny child...
Love sometimes leaves you
As dead as yesterday
As dead as yesterday...

As dead as yesterday

Zakk Wylde

Postado por Katze Yue às 00:18 0 comentários    

Início do fim

domingo, 17 de maio de 2009

E pela primeira vez fiquei cansada. Num sábado à noite, vento gelado, cigarros e a solidão do amor que jamais acontece. Pela primeira vez fiquei cansada.



Ainda a enxergo diante de mim envolta em brancos lençois, massa disforme por detrás da bruma de intensa feminilidade que exala e que a envolve de fora para dentro. Aquela que não poderei conhecer, que não poderei encontrar nas ruas nem nos pesadelos, de quem não me esquecerei nem sentirei saudades.
Pela primeira vez, fiquei cansada.



Ainda lamento não ter tido uma caneta, ou uma faca que fizesse jorrar meu sangue, a fim de deixar as marcas da alma em meu mundo podre e vazio. Ah não, eu não derramaria o precioso líquido para ser usado como tinta, para com ele moldar palavras que tingissem velhas folhas de papel ou os lençois impregnados da mulher que não existe.

Muito pelo contrário.

Do sangue surgiria o livro branco em vermelho; no líquido seriam gravadas as memórias de minha amnésia permanante. Escrever palavras em sangue é fácil demais - a dor de perfurar com elas o mundo de fora para dentro faria mais efeito.



Ainda sinto as extremidades de meu corpo pulsando violentamente, não tenho um coração dentro do peito, apenas um buraco negro que tudo suga e a todos atrai. Mas minhas veias e artérias têm como destino o interior do crânio, um bando de terminações nervosas onde deveria haver cérebro, e que no entanto não deixam qualquer espaço para racionalidade alguma.

Pela primeira vez, estou cansada.



Nichts bewegt sich
Ich kann nicht mehr...
Ich bin so müde

Lacrimosa


*

Postado por Katze Yue às 00:13 4 comentários    

Velha

sábado, 16 de maio de 2009

Quando eu era criança, li que quem sabe demais envelhece mais depressa. Não entendi muito bem. Mas hoje sou a prova viva disso.

É, eu li essa frase há mais de oitocentos anos.

Postado por Katze Yue às 16:33 0 comentários    

Só mais umas considerações femininas

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eu quero conversar palavras, e não espinhos; quero comer chocolate sem gosto de lágrimas. Quero ficar triste pelos meus motivos, não pela agonia de não saber o que fazer com os motivos dos outros. E quero poder dormir de olhos fechados.

Já descobri como é legal entrar de cabeça naquilo em que a gente nem acredita, e descobrir a felicidade pura em coisas tão estranhas que só de pensar já dá um pouco de medo. Já percebi que nesses assuntos nunca existe o certo e o errado, e que muitas vezes a atitude mais prudente é ser inconsequente mesmo, não pensar e fingir não sentir.


E já sei muito bem que esse "ditado" aí é a maior estupidez:

Nunca chore por alguém que não merece as suas lágrimas;
quem realmente as merece não lhe faz chorar.


Isso aí é papo de quem espera príncipe encantado, credo!


Bom, olha só quanta coisa eu aprendi, hein... e vê se por acaso elas diminuem a minha tristeza, aquela que chegou de repente pra envenenar a melhor das noites e tornou a manhã pesada e o dia cinzento. Ah, não mesmo! Quanto mais a gente acredita, mais encontra sinais pra não acreditar.


Só porque hoje o mundo não foi pequeno o suficiente pra eu te encontrar por acaso na estação da Sé às seis da tarde.

Postado por Katze Yue às 00:57 0 comentários    

Hoffnung? Ou só burrice?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mais uma noite de muitas horas de música e poucas de sono, de acordar cedíssimo pra ir trabalhar, de passar uma tarde mais ou menos produtiva. Nos últimos dias a primeira coisa que tenho feito é mandar SMS por celular para uma certa pessoa, e hoje não foi diferente. Mas talvez amanhã seja.

Como diria minha irmã, sai dessa vida... pois é.


O fato é que essa existência não é sempre a porra de um ciclo muito poético e bonitinho, mas sim uma brincadeira de gato e rato que pode chegar a ser ridícula. A gente não gosta de ser trouxa, mas também não perde uma oportunidade, e ainda acha que tem o direito de ficar feliz quando encontra outros infelizes que também são assim.


Enquanto tem alguém que faz de tudo pra não demonstrar o que está pensando de verdade, só pra ser legal. E a gente finge que acha isso realmente legal.



Será que só se sente saudade com a consciência pesada? Ou isso é o que se pode chamar de sentimento de posse? Será que quem diz não enjoar das pessoas, é porque quer que todo mundo morra mesmo?




No começo de tudo, sempre parece que a gente está prestes a acordar ou a cair de um precipício, é bom demais pra ser verdade. E vai ficando tããão feliz quando vê que as coisas são reais e que isso não vai acontecer não. Mais ainda quando percebe que alguém sente exatamente o mesmo (?).


Mas uma hora a gente cai mesmo e pronto. E doi!

Postado por Katze Yue às 01:01 0 comentários    

Ashes

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Já estou de volta. Não me agrada abandonar este antro disfarçado de poesia, mas a viagem do fim de semana e, antes, os preparativos emocionais para ela, drenaram-me completamente as palavras e pensamentos lógicos do cérebro.
E depois do acidente de carro que sofri logo no dia primeiro, poderia não ter voltado mesmo!!

Três dias diferentes, únicos, perfeitos. Mas que não me deram oportunidade de esquecer que, quanto maior a altura, pior a queda.


Eu acredito que, com a maioria das pessoas, por mais diferentes que sejam os problemas, o caminho para encontrar a solução é o mesmo - aquela confortável estrada deserta saída de livros infantis, pela qual se vai andando e sentindo o sol no rosto em meio às arvores. Por mais que ali possam surgir obstáculos algumas vezes, ela sempre levará a um lugar já conhecido.

Mas comigo, pra variar, é o contrário. Motivos para ser feliz são cada vez mais infinitos; bons momentos nunca se repetem, o que os torna ainda melhores. Já os maus, esses sim uma cápsula do tempo, aparecem em qualquer situação, aparecem quando menos espero - mesmo que eu normalmente espere! E aprisionam-me na memória, levam-me de volta aos ciclos sem fim onde todos os problemas são um, onde todos os risos de calam diante da lembraça de um instante de decepção no olhar. Decepção que, repito, consigo esconder perfeitamente, mas não quero.



Não querer acreditar no presente, acontece quando a gente está com problemas. Não acreditar no futuro é normal algumas vezes. Mas por que eu não consigo acreditar no passado, em coisas boas que já aconteceram? Só mesmo quando elas voltarem para me atormentar em sonhos?

Postado por Katze Yue às 00:43 0 comentários    

Resposta

terça-feira, 28 de abril de 2009

E você me pede pra não dizer tudo que penso, porque às vezes nem pareço ser eu mesma. E diz que está brincando quando na verdade não está.


E você quer ver meu sorriso a cada vez que imaginar estar pousando os olhos sobre minha face, por mais que estejamos separados pelo espaço e pelo tempo, e com tantos mares e oceanos a correr nesses seus mesmos olhos.


E você me pede pra esquecer quem já ficou pra trás e os lugares onde me perdi uma única vez.



A luz sem o amanhecer. Os efeitos sem a droga. Os nervos à flor da pele, a mente paralisada para qualquer raciocínio frio que não admita banhar-se na incandescente lava de minha insanidade mental. E aos poucos vai sendo derretido o último vestígio de consciência.


Em um coração vazio, toda a profunda dor dos sentimentos a que não se dá nome - um vazio repleto de sangue, mas de sangue alheio, gotejando acordes lentos, nota por nota, tocando o solo negro no ritmo de minha respiração. Eis que a agonia se faz melodia, e não tenho mais por onde retornar às terras do ingênuo silêncio... agora submersas.

Postado por Katze Yue às 00:23 1 comentários    

Inerte

domingo, 26 de abril de 2009

Eu subiria na mesa escura para afastar as pesadas cortinas escuras, e ali ficaria debruçada, a observar o cair da neve. Passaria a noite em silêncio, esperando eternamente que cada um dos flocos esbranquiçados alcançasse o solo, e desaparecesse em meio àquele mar de algodão, fazendo-o aumentar aos poucos - até, quem sabe, envolver lentamente as janelas, as cortinas e toda a casa, no silêncio da noite, encobrindo tudo, engolindo a si mesmo.

Pois é, fiquei três dias sem postar, e quando volto estou pensando nisso. É que a vida é feita de altos e baixos, e na minha eles sempre se alternaram em questão de horas, então há o que escrever a todo momento; nos últimos três dias, entretanto, a queda livre tem tornado impossível pensar em qualquer coisa por mais de quinze segundos. Agora, enquanto abasteço-me de textos e fotografias e todo tipo de lembrança de outros períodos obscuros dessa mesma vida, percebo que é verdade que só se vive uma vez: as lágrimas que já sei como secar, essas não voltarão.

Desanimador é também o clichê de só conseguir pensar em morte. Talvez porque a vida seja complexa demais - é sempre vida e cansa e engana e desespera. Sim, essa é a última coisa que eu teria gostado de escrever nisto aqui. Mas sou um poço de raiva e mágoa, aos poucos evoluo para o ressentimento e o ódio, e não há nada que me faça voltar a enxergar as coisas de maneira racional.
Porque racional, aliás, nunca soube ser e tampouco fiz questão; a diferença é que antes agia com o coração e cometia atos inocentes. Agora ele está sujo, e até que haja tempo de renovar todo o sangue deste corpo, transcorrer-se-á tempo suficiente para que tudo mude mais uma vez, e outra, e mais outra. No fim, inevitavelmente, tudo terá sido inútil.


Talvez eu subisse novamente na mesa para puxar as cortinas da cor do vinho de volta ao seu lugar. Então desceria, procurando não fazer barulho, caminharia até a porta à esquerda das grandes janelas e giraria a maçaneta no sentido anti-horário, para sentir o vento surpreender-me com um gélido golpe nas faces. E caminharia por sobre a neve amontoada no quintal, no solo outrora negro, deixando um sutil porém intenso rastro de gotículas vermelhas.


Perdendo sangue, ganharia forças para refletir. Não sei exatamente quando deixei de ser feliz, mas esse não é o problema - é que não sei quando voltarei a sê-lo, e sobretudo como.


Mas assim é a vida, refugio-me na morte para não ter que pensar em como sair dela, até o dia em que acordarei viva de novo.
E eu não sei que estou morta, não faço a menor ideia disso e se me contassem eu não acreditaria - mas estou, entende?

Ainda espero que a montanha que agora se formou no quintal sob a goiabeira continue crescendo. Que a neve se una ao branco inatingível do céu, acima das folhas verde escuras já quase sem vida. E que meu corpo possa ser envolvido em seus braços mornos.

Postado por Katze Yue às 02:49 2 comentários    

Chorar também não faz mal

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não quero, não quero, não quero mais que o tempo passe. Logo vai chegar o dia tão aclamado, e eu vou ter que ficar sorrindo com aquela mesma boa vontade das garotas da Rua Augusta. E por dentro só estarei aliviada por não ter uma arma em mãos, o que possivelmente arruinaria meu autocontrole.


Todos os anos é a mesma coisa, em todas as datas por algum motivo "especiais", e todos já sabemos disso, e assim só vai piorando. É como a chegada da noite depois de um dia perfeito, para a maioria das pessoas: doi. Para mim, é como ver o arco-íris desvanecer-se lentamente e saber que o sol permanece mas a chuva não volta mais. Sinto em minhas costas um buraco se abrindo, rasgando a pele, quase a engolir a esperança que tatuei.


Estou preparada para, mais uma vez, pedir desculpas pelo que não fiz, e para fazer promessas falsas - algo que jamais me pareceu nem parecerá plausível, e que no entanto ainda será necessário enquanto eu estiver sob este teto. E também espero que isso se resolva o mais breve possível... aposto que não vou reclamar de pagar aluguel!


Sempre os sentimentos, pra ferrar com as ideias da gente. Quando é paixão, ainda vai, nada que algumas noites solitárias de poesia não ajudem a amenizar - nesses casos o melhor que se tem a fazer é mergulhar na dor. Mas acho que acabei desaprendendo a lidar com o sofrimento por motivos tristes de verdade.


O pior é que vai ser justo num domingo, não vai dar pra escapar. Quero só ver (ou melhor, não quero). Ainda está longe, mas acho que já dá pra começar a escrever uns rascunhos de como foi.

Só pra depois perceber que eu estava errada e mais uma vez nada saiu como eu esperava.

E pra ficar aliviada com isso durante uns três dias, até que o ciclo comece de novo e eu constate que só estive enganada uma vez na vida: a vez em que pensei não estar enganada.

*

Postado por Katze Yue às 20:50 1 comentários    

Um instante de simples pureza

Faço um breve parênteses, com a luz do Sol a emprestar um pouco de vida saudável a esse monte de divagações noturnas e lágrimas secas da madrugada.

Não há sensação de maior paz do que a de fazer uma criança dormir. Vê-la chorando, beijar seu rosto molhado e lavá-lo com carinho; tentar conversar com ela, e descobrir que seu único problema é o sono. Deitá-la no colo e passar a mão suavemente por entre seus cabelos até que adormeça.

É, quem acaba conhecendo demais a vida noturna, a depressão, as coisas sombrias e todo essa blablablá, não tem muita noção das alegrias mais simples. E se encanta facilmente.


"Não há ninguém que saiba demais neste mundo..."

Postado por Katze Yue às 15:17 1 comentários    

Um adeus...

Não é começo de semana, não é fim de mês, meu time não foi derrotado e não estou na TPM.
Mas tudo isso só torna ainda mais difícil a constatação de que não haverá amanhã.
Só o silêncio da noite e o vento cada vez mais frio, a congelar a eternidade.

Sim, essas palavras são pesadas, porque esta é uma noite pesada, os sons que ouço são pesados, tudo está pesado e meu coração não é diferente.
Sempre sonhei com o dia de voltar-me para trás pela última vez, e agora já não sei para que lado devo olhar.

Aos novos amigos, obrigada pela oportunidade da companhia e da distração, novas ilusões em que acreditar para ser feliz aos fins de semana.

Aos velhos amigos, obrigada por tanta paciência! Que permaneçam apenas os bons momentos na memória.

Aos parentes... que encontrem seus caminhos.


Mãe
acontece muito de duas pessoas não se darem bem, há muito tempo eu acho que um pouco de distância e de saudade poderia resolver nosso problema.

Pai
por que é que quanto mais a gente quer se aproximar de alguém, mais a gente se afasta?



Trabalho, estudo, planos e mais planos. Uma hora tudo vai por água abaixo. Menos a dor, aquela que nos acompanha a vida inteira e só tira um descanso de vez em quando; aquela da qual tanto sonhamos em nos livrar. É, foi tempo perdido.

Aqueles que apresentei, espero que não deixem de se ver. Àqueles que separei, a vida ainda será longa, resolvam seus problemas.


Não tenho nenhuma doença terminal, não fui 'escolhida' para nada, mas a verdade é que preciso me despedir. Porque a estrada da paixão por cada instante e do amor inconsequente levou-me a uma rua sem saída, e todos os portões estão fechados.




LACRIMOSA
Ich verlasse heut' dein Herz

Verlasse deine Nähe
Die Zuflucht deiner Arme
Die Wärme deiner Haut
Wie Kinder waren wir
Spieler - Nacht für Nacht
Dem Spiegel treu ergeben
So tanzten wir bis in den Tag

Ich verlasse heut' dein Herz
Verlasse deine Liebe
Ich verlasse heut' dein Herz
Verlasse deine Liebe

Ich verlasse deine Tränen
Verlasse was ich hab'
Ich anbefehle heut dein Herz
Dem Leben - der Freiheit
und der Liebe
So bin ich ruhig -
Da ich dich liebe!
Im Stillen lass ich ab von dir
Der letzte Kuss - im Geist verweht
Was du denkst bleibst du mir schuldig
Was ich fühle das verdanke ich dir
Ich danke dir für all die Liebe
Ich danke dir in Ewigkeit
Ich verlasse heut' dein Herz
Verlasse deine Liebe
Ich verlasse dein Herz
Dein Leben - deine Kusse
Deine Wärme - deine Nähe -
Deine Zärtlichkeit







Acho que flores brancas combinam bem com um túmulo que quase nunca recebe visitas.



Eu queria estar no lugar de vocês, pra quem ainda não é tarde demais...





;)

Postado por Katze Yue às 00:51 1 comentários    

Amores

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Acabo de encontrar um poema que escrevi há dois meses.


What are we supposed to do
Our children spread their wings and leave the nest
But when we get used to loneliness
There they are, shattered, with closed eyes,
just craving for some rest



Not every night is silent and dark
Not every road leads us somewhere
Not every eye is able to stare
at the truth... and keep on being blind


And not every grown-up knows how to be strong
Whenever we're caught up by fragments of tears
In spite of the bright path our eyes know how to see
Our heart seems to foretell we'll end up all alone



And there may be a time
of the flowers' rebirth
When no song will reach our ears
But six feet over her
The pain in his warm sigh
will make sure that feelings remain
Even though never on this Earth
"I hope someday we meet again".



E por mais que eu esteja cansada de ficar pensando em amor e coisas do tipo, acabei percebendo que ler esse texto de novo ajudou a despertar algo que estava adormecido há meses, e vem lentamente ressugindo desde a semana passada.

Sempre há algo que escapa à nossa percepção e impede que tomemos nossas próprias decisões em relação a sentimentos. Infelizmente, agora não tenho muito o que dizer sobre isso, mas sei que a sensação de deitar-se à noite pensando em alguém diferente, com o coração repleto de carinho pelo que se está conhecendo e de paixão pelo desconhecido, nunca é menos intensa. Como também a sensação de magoar alguém nunca se torna menos deprimente.

Também descobri que não são só os meus poemas que têm prazo de validade, depois do qual eu os considero lixo impublicável. A pessoa que me inspirou para o texto acima, hoje em dia ama outra, e de maneira mais realista e bem mais terrível. Só espero que isso volte a mudar muito em breve.

Quanto a mim... muito mais fácil seria a vida se pudesse ser resumida a escrever sobre os problemas dos outros!! Mas felizmente isso jamais acontecerá.
^^


O que eu sei é que, bem no fundo, amo, e muito. Não ter a quem direcionar tudo isso é o que o torna mais perigoso e mais incontestável. E não ter como expressá-lo em palavras menos previsíveis é o que contribui para que, a cada vez que me fecho, tenha mais certeza da impossibilidade de abrir a alma novamente - até que tudo aconteça da maneira mais inesperada.



Belas palavras sempre foram como um vestido branco de seda, a cobrir um jovem cadáver mutilado.

Postado por Katze Yue às 04:20 2 comentários    

Stairway

sábado, 18 de abril de 2009

– E tem uma escada que sobe lá pra cima, então acho que deve ser aí mesmo.
– ...
– Nossa, escada que sobe pra cima, que besteira eu estou dizendo! Se sobe, só pode ser pra cima!
– ...


Foi nesse momento que eu comecei a pensar, é verdade que todas as escadas que sobem vão pra cima mesmo? Subir significa sempre chegar a um lugar mais alto? E tudo que é mais alto exige uma ascensão para ser alcançado?

Estávamos diante de uma porta escura, pouco depois da meia noite, e descobrimos que aquele era mesmo o lugar que estávamos procurando. Subimos - e ao final da escada tínhamos descido um andar na escala humana. A luz branca, mais conhecida como luz negra, piscava incessantemente. Nuvens de gelo seco transformavam-se em cortinas de densa fumaça, cápsulas que paravam o tempo, para que restasse apenas o surreal em meio ao qual silhuetas escuras moviam-se no ritmo do darkwave.

Ao fundo, sinalizada por uma luz vermelha, outra escada levava ao segundo andar. Ao atravessar a estreita porta preta, via-se garrafas opacas e cinzeiros cheios a dividir espaço com algumas velas, sobre mesas de madeira antiga ao redor das quais alguns conversavam em voz baixa e outros circulavam em silêncio.

Talvez o antro estivesse localizado no topo de escadarias para que se tivesse a sensação de proximidade com algo superior. Ou talvez o próprio ambiente fosse de fato superior ao que se vê sob a luz do dia. De qualquer forma, é possível que os degraus que levam ao Paraíso terminem no centro da Terra, em um ambiente ainda mais silencioso e escuro do que aquele em que estivemos ontem à noite.




There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stores are all closed
With a word she can get what she came for

Woe...
And she's buying a stairway to heaven

There's a sign on the wall but she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings
In the tree by the brook there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven

Woe...
And it makes me wonder

There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking

Woe...
And it makes me wonder

And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echode with laughter

If there's a bustle in your hedgerow
Don't be alarmed now
It's just a spring clean for the May Queen

Yes there are two paths you can go by
But in the long run
There's still time to change the road you're on

And it makes me wonder

Your head is humming and it won't go because you don't know
The piper's calling you to join him
Dear lady can't you hear the wind blow and did you know
Your stairway lies on the whispering wind

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll

Woe...
And she's buying a stairway to heaven


***

Postado por Katze Yue às 17:18 1 comentários    

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