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Incerteza do Errado

O que é certo para você?

Trechos

domingo, 6 de junho de 2010

Fragmentos do texto "Sobre a morte e o morrer", de Rubem Alves.


Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver."

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”



Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.



A morte e a vida não são contrárias. São irmãs.





.

Postado por Katze Yue às 03:24 0 comentários    

Destino

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quando eu crescer, quero ser viúva. O silêncio da morte haverá de acompanhar-me para sempre, a ausência de falsas esperanças, de sentimentos confusos. Ainda melhor é a solidão quando dela nada mais se espera; os dias que hoje começam felizes não mais poderão terminar na decadência das ilusões sem prévio aviso. Já sem qualquer desejo íntimo de continuar à procura do que quer que seja, apenas a imensidão do vazio, aquela que não se pode enxergar quando inúteis receios turvam a mente.

Talvez, somente talvez, não se possa esquecer de respirar - e portanto do pensamento a repetir constante "onde?" Dúvidas, porém, não mais haverá para fazer sofrer a quem aqui permanece. E a certeza de um adeus eterno será o ponto final de toda angústia.



Ich habe Pläne, grosse Plane
Ich baue dir ein Haus
Jeder Stein ist eine träne
und du ziehst nie wieder aus


Rammstein

Postado por Katze Yue às 14:13 0 comentários    

Ausência

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Hoje de manhã ouvi, de um grande amigo, que as palavras que aqui derramo são tudo que resta de mim. Que é quase impossível conseguir falar comigo, que me escondo e desapareço, que só aqui se pode ler-me. De certa maneira não me surpreendi.

Não é de hoje que venho notando uma crescente reclusão do mundo em direção a mim, portanto o contrário certamente ocorre também. Trabalho, almoço, faculdade, ônibus, a lentidão das imaginações tornando-se crônica, uma doença do viver. Ou talvez, antes disso, uma doença do estar; pois dormindo não estou, e não encontro problema algum em toda essa inércia que me consome. Não deixo, entretanto, de existir. Pelo contrário, fora da realidade tudo é mais verdadeiro e não sei quem inventou o contrário.

Pois então que assim seja; não sou eu quem vai constantemente atrás de abstrações nos piores antros? Não busco eu os significados muito além de seus significantes? Pois que busquem o silêncio, e encontrem por aqui o sem-nome que vasto se estende além dele.

Postado por Katze Yue às 16:06 0 comentários    

The obsessive devotion

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Preciso de você mais do que de minhas próprias pernas, porque sem você não tenho para onde andar. Preciso de você mais do que de oxigênio - porque às vezes sonho que posso respirar embaixo d'água, mas nunca que estou só. E também porque sem você tudo seria um pesadelo; sonho nenhum se compara a viver ao seu lado de olhos bem abertos.

Preciso de você mais do que de minhas mãos, que seriam inúteis sem você para acariciar, e mais do que de meus lábios, incapazes de sorrir na sua ausência.

Só não preciso de você mais do que de meu cérebro. Porque é só ele que refreia meus instintos, e que impede, a muito custo, que essas palavras cheguem até você.

Postado por Katze Yue às 12:57 0 comentários    

Sonâmbula

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Então assim segue a vida, os sonhos acabam quando a gente acorda. E deste lado aqui não tem o cor de laranja quentinho de um por do sol romântico no fim do ano - aqui é noite, a cada vez que se deita ou que se levanta, a cada vez que se pensa no dia que vem pela frente. É escuro e deprimente o passar do tempo.

Bem diferente de sonhar, dos devaneios que costumam nos esperar do lado de lá da mente em silêncio. Porém aqui é a origem deles; se assim não fosse na vida real, para que serviria o surreal? Para descansar o corpo, apenas? Não haveria de quê!

Postado por Katze Yue às 17:00 2 comentários    

Ich bin der brennende Komet

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nos últimos dias tenho acordado tranquila, sossegada. Mentalmente descansada. Quase como no tempo em que era feliz.

E hoje, sim, é um daqueles dias em que esta louca vai escrever coisas bonitas e suaves que contrastem bastante com os últimos meses de posts deprimentes. Aliás, vocês, meus caros, talvez não vejam como "um daqueles dias" em que isso está acontecendo, mas como o primeiro ou no máximo segundo - já que nas darkest hours eu venho aqui e apago tudo de bom que já tivesse escrito!

Não, não me arrependo. Em primeiro lugar, porque do meu amor quem sabe sou eu, e quero que assim continue sendo. Mais detalhes, sei lá, quem sabe no dia do casamento.

E em segundo... é cruel essa constante "indecisão" entre a depressão e a inocência. Não quero parecer uma boba alegre se dentro de meia hora estarei afundando de novo. Hoje estou bem, sim, bem pra caralho. E tudo que quero é que esta sensação dure, tanto quanto for possível, na sua forma mais pura como neste instante - mas também sustentando-me por detrás das dores de cada dia.

Porque não hei de ficar assim para sempre; na verdade, pode ser que ao deitar-me e adormecer tudo se desvaneça, e pode ser que eu acorde tranquila amanhã também, ou pode ser que não. Mas o esforço continua, por um único objetivo: o sentido de tudo. Entre um cigarro pensando na morte e um suspiro olhando para a lua, dou apenas um passo. Mesmo a cada insight de agonia que aqui compartilho, não me esqueço, a cada cansaço e desânimo não me esqueço, de algo que hoje encontrei ingenuamente

para em breve deixar, e então buscar mais uma vez.



Erst wird es heiss,
dann kalt,
am Ende tut es weh


Rammstein

Postado por Katze Yue às 01:17 0 comentários    

Just left wondering why

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Não venha me dizer que a vida é bela, porque eu vejo, enxergo cada eternidade dentro de um único segundo e me recordo da beleza do tempo. E não tente me convencer a não desistir, porque a cada derrota refletida nos olhos de quem passa, os meus se tornam mais invencíveis.

Meus pés mal tocam o chão enquanto observo as nuvens ao redor. E nelas se perdem risos inocentes, enquanto só o que sobra é o silêncio pesado. Logo anoitece.

Frias ilusões sob o tímido luar não me fazem chorar mais.


No need for tomorrow
When you can't find today


Black Label Society

Postado por Katze Yue às 01:57 0 comentários    

Show me the road back home

segunda-feira, 26 de abril de 2010

É difícil se livrar da vida dos outros, esquecer a nossa própria dá muito menos trabalho. Não, desta vez não estou bêbada, falo sério.

Cuidar de si distrai a mente, sair da realidade também.

O problema é que os outros continuam lá, olhando, assistindo, espionando. A física diz que o próprio ato de observar modifica o objeto observado. Sim, modifica, mutila, transforma em aberração.


Agora sou eu quem observa a pilha de restos de mim mesma sobre uma cama fria. Sem remorso algum. O que me tornei? Em que transformei a vida que era cheia de timidez, de vontades, de luz do sol nos olhos?

Não me importo.



We were such children when we met
And we watched those children disappear


Six feet under - 1.09

Postado por Katze Yue às 00:30 2 comentários    

Invisible - unloveable

domingo, 18 de abril de 2010

Cheguei bem mais cedo à faculdade, o céu ainda estava claro e fazia muito calor. Então acendi um cigarro, algo que detesto fazer quando está calor. Dez minutos depois, entrei no prédio e deixei minha mochila na sala de aula.

Peguei dinheiro e desci até a copiadora, onde troquei sorrisos com o jovem atrás do balcão. Mas tarde, inclusive, tornei a encontrá-lo do lado de fora, fumando. E para acompanhá-lo acendi outro cigarro, sem a menor vontade.

Depois que peguei minhas cópias encontrei duas amigas. Passeei com elas sem destino pelos corredores, sorrindo, falando de rapazes e dos planos para o fim de semana. Até que o encontramos na lanchonete.

Conversei com ele sobre as provas que se aproximavam, mas já era hora de entrar na sala de aula. Não entrei, nem ele. Compramos algumas cervejas e ficamos sentados observando garotas.

No segundo horário assisti à aula embriagada.

Na hora da saída as duas foram embora e fiquei sozinha a esperá-lo, o que me deixou nervosa - aí acendi mais um cigarro, o primeiro do dia por vontade própria. Mas quando ele apareceu, tive de pedir uma bala.

Andamos até o ponto de ônibus, ele falando e eu mal ouvindo. Sentamo-nos no banco, ele falando e eu mal ouvindo. Entramos no ônibus e só conseguimos lugar sentados meia hora depois - ele sempre falando, e eu mal ouvindo.

Até que ele desceu.

Então comecei a ouvir, comecei a ouvir a mim mesma, a meus próprios apelos que aprendi instintivamente a desprezar quando ele está por perto.

Ouvi meus próprios apelos por alguma atenção. Ouvi o motor do ônibus e o toque do meu celular lembrando-me de tomar remédio. Só não ouvi o silêncio.

E no momento seguinte, já deitada em minha cama, ouvi finalmente o silêncio. Já não havia ninguém para me ouvir.

Postado por Katze Yue às 23:58 0 comentários    

Levíssima

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O dia começou cansado. Depois ficou mais quente e sonolento. Surgiu uma esperança mas o sentimento não foi embora. E quando chegou o alívio, lentamente desabrocharam pétalas de tristeza.


Mas o desânimo não veio. Somente a dor, o peso de ter de continuar. E ao mesmo tempo, o leve torpor da liberdade indesejada. A certeza de se estar acordada.


Continuo procurando, entre doces lágrimas, o fantasma que um dia acreditei existir. Aquele de quem fui atrás e não desisti até amá-lo carinhosamente. Só que eu mesma ainda não me dei conta dessa busca, e não consegui me dar conta de que ele não vai voltar.

Bebi a água e guardei a garrafa.

Postado por Katze Yue às 14:32 0 comentários    

Agora sim (?)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Acho que estou ressucitando isto aqui. Acho que estou ressucitando meu coração e minha dignidade também.



Posso roubar a citação de um blog que leio, e que amo e odeio em segredo?



well, that’s just the way it is…

sometimes when everything seems at
its worst
when all conspires and gnaws
and the hours, days, weeks
years
seem wasted -
stretched there upon my bed
in the dark
looking upward at the ceiling
I get what many will consider an
obnoxious thought:
it’s still nice to be


Bukowski







É precipitado afirmar que deixei mesmo tudo pra trás. Ainda são oito da manhã de uma segunda feira. Mas não é errado se preparar para o pior - ou sonhar com ele!

Há coisas que se precisa descobrir por conta própria e jamais comentar com ninguém.




- O que é um filósofo?
- É alguém que sonha menos coisas do que as que existem no céu e na terra!

Aldous Huxley





x)

Postado por Katze Yue às 08:24 1 comentários    

Só pra esclarecer

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Desconhecidos serão sempre muito benvindos por aqui.


Já os conhecidos, bem, não sei fazer milagres.

Postado por Katze Yue às 13:28 1 comentários    

Pânico, agora sim Pânico


Será que a noite foi só mais um sonho,


uma resposta ao pesadelo da manhã?






O que pode estar do outro lado,
do monitor
do telefone
do travesseiro?




Sei que foi tão horrível que estou acordada até agora -

- acordada esperando que o agora não seja tão horrível.

Postado por Katze Yue às 01:45 0 comentários    

Mais Vinicius

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Trecho de Elegia desesperada


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Postado por Katze Yue às 17:05 0 comentários    

shhh...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Olavo Bilac

Postado por Katze Yue às 01:43 0 comentários    

Ausência do amor total

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O dia amanheceu tarde, primeiro de dezembro, enfim o sabor de fim de ano. Fome, som de pagode do outro lado da rua, sutil sensação de calor.
Mas a tranquilidade, o silêncio. Em algum universo paralelo estou sentada à beira do mar.





Será que é isso que acontece quando não se enxerga mais (quase) nada com que se importar?






Então acho que estou compreendendo os suicidas.











Vinicius de Moraes, que delícia *-*



Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.


Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.


Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.





diz tanto nesse momento...
mas também tem outro que não pode faltar, ah, eu sei que não pode!






Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.





*

Postado por Katze Yue às 14:08 0 comentários    

Diary of dreams?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Outro dia perguntei a duas alunas onde guardavam seus diários; o objetivo era revisar in, on, under, essas coisas. Uma delas afirmou não manter diário algum; a outra respondeu "in my purse".


Então olhei seu sorriso de quase 18 anos e lembrei-me de algo que não aconteceu. Ah, fazia tempo que eu não tinha dessas lembranças.

Alguns meses atrás, teria desejado estar dentro daquele diário, e não me importaria com as páginas rosadas e floridas. Porque me sentiria bem com ela, tomando ares tão diferentes dos meus negro-solitários. E porque estaria sendo importante para ela, meu pequeno corpo dividindo espaço com mil coisinhas de cabelo ruivo.

Lembrei-me do que eu teria pensado, do que teria sonhado à noite, músicas pop e risos adolescentes em tons pasteis.


Mas não me espantei ao não sentir falta dessas coisas; não por causa de não fazer mais parte daquele mundo nem por estar consciente disso. É que hoje sei definir o amor de várias outras maneiras. Tenho só dois anos a mais que a garota do diário, dois anos e dois meses, e as coisas são tão diferentes.


Já amei com inocência e pureza, já passei noites sem dormir e sem acordar por causa de paixões, já sofri por muitas pessoas em muito pouco tempo até desistir de acreditar, e já machuquei sem conseguir sentir dó.


Mas só é amor de verdade quando é diferente, eu acho. Quando é a primeira vez de novo. Senão é repetição e rotina, e pra isso já não tenho forças, aliás, pobre de quem as tem. Amor é necessidade de viver - com ou sem depressão e loucuras hormonais, com ou sem cigarro e chocolate, com a cama quente ou fria. Ainda é necessidade de viver.


Por isso não me fez falta alguma deixar uma marquinha sequer no tal diário. Hoje o amor é outro, e é tudo. Diário até eu tenho, é exatamente isto aqui, já apelidado duas ou três vezes "caixinha de mágoas". Mas começo a me lembrar que também existe uma caixinha de alegrias.

Postado por Katze Yue às 15:00 0 comentários    

Ghost of Freedom

sábado, 21 de novembro de 2009

E fez-se a luz novamente, pintada de preto, vestindo risos pálidos, há muito tempo escondidos atrás das imagens falsamente perfeitas.



Dentro de alguns dias mais, desfaz-se a ilusão, e vem a cruel certeza, a notícia anunciada por voz inaudível. Sim, estou doente, e doente sozinha. Não, isto não tira o frescor de sentimentos como aquele - é algo maior, e não sei o que fazer, e estou só e o tempo (ele de novo!) é outra espécie de "caixinha de mágoas".

Postado por Katze Yue às 02:44 0 comentários    

* Blackout *

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apagaram as luzes dos quartos, mas ninguém foi dormir. Desligaram os computadores e ninguém gostou. As ruas escureceram ainda mais, e o silêncio não foi tranquilidade, mas sim surpresa.

Nada pode unir mais do que a ruptura brisca da individualidade. Ordem, planos, sistemas devem ser abalados, devem ser falhos, mas não podem. Não se sabe desde quando nos controlam, isso também nos foi arrancado da memória. E caminhar sem enxergar o chão nem vislumbrar destino, sem que as luzes amarelas nos ofusquem, e respirar a quietude fresca da terça-feira que ninguém esperava, com isso não sabemos o que fazer.

Só restou escovar os dentes, apagar as velas sem soprá-las, e abrir a janela do quarto ao invés de fechá-la. Sem poder ouvir o semáforo lá da esquina mudando de cor, deitei-me sentindo o escoar da vida, a escuridão levando o tempo embora, e fechar os olhos foi um desperdício, uma quase morte dentro da noite pesada.

Postado por Katze Yue às 01:39 0 comentários    

Lord, I question whether I've had my fill

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tenho pensado tantas vezes antes de cada palavra que escrevo, todas elas aprofundam o sentimento de culpa por acreditar que está próximo o dia de encontrar algo que estou procurando.


Enxergar a vida como ela é não é fácil, viver não é fácil, é o que dizem muitos. A questão é, supondo que se consiga, será que vale a pena e o resultado é bom mesmo?



Lord, I question whether I've had my fill
Lord, I question whether I can take much more
You may laugh as I lay here bleeding
No more afters or befores

Once my blood was strong but now it's jaded and it's thin
Unlike you I can still tell right from wrong

Postado por Katze Yue às 03:15 0 comentários    

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